- Guia de estilo bom é testável: regras curtas, exemplos e contraexemplos
- IA acelera a extração de padrões, mas humanos definem as escolhas editoriais
- Separe: tom (voz) vs. formato (estrutura) vs. compliance (o que não pode)
- Crie um “pacote de prompts” fixo para briefing, escrita, edição e fact-check
- Revisão final deve incluir checagem de fontes e proibição de invenção de dados
1) Junte amostras do seu conteúdo (o material que manda no jogo)
Selecione 10–20 peças que representam bem seu padrão (matérias, guias, comparativos). Inclua também 3–5 exemplos do que você NÃO quer (textos prolixos, genéricos, com cara de release). A IA aprende padrões melhor quando vê contraste.
2) Defina o que é “voz” e o que é “formato” (não misture)
Voz: nível de formalidade, ritmo, humor (se existir), postura (neutra, opinativa, investigativa). Formato: estrutura de H2, tamanho de parágrafos, uso de listas/tabelas, regra de opening, como escrever subtítulos e bullets. Deixe isso separado no documento para não virar um monstro confuso.
3) Use a IA para extrair padrões (com um prompt de auditoria)
Cole 2–3 textos “bons” por vez e peça: (a) 10 regras observáveis, (b) 10 escolhas de linguagem recorrentes, (c) 10 coisas que o texto evita. Repita com vários exemplos e consolide o que se repete. Se a IA sugerir regra impossível de verificar (ex.: “seja interessante”), reescreva como critério objetivo (ex.: “comece respondendo a intenção em até 60 palavras”).
4) Construa o esqueleto do guia (padrão que dá para usar amanhã)
Monte seções fixas: Tom e postura; Público-alvo; Vocabulário (permitido, preferido, proibido); Regras de títulos e intertítulos; Estrutura recomendada por formato (guia, comparativo, notícia); Padrões de números e incerteza (como qualificar quando não há dado exato); Regras de citação e links; Checklist final.
5) Crie um glossário editorial (termos, traduções e escolhas de marca)
Liste termos que sempre geram variação: “IA generativa”, “LLM”, “modelo”, “chatbot”, “alucinação”, “prompt”, “fonte”, “benchmark”. Para cada um: definição curta, quando usar, quando evitar, e 1 exemplo em frase. A IA ajuda a padronizar, mas a decisão é editorial.
6) Padronize o que fazer com números e afirmações (anti-alucinação)
Estabeleça regra explícita: sem inventar estatística, preço, ranking ou “pesquisa diz” sem fonte verificável. Quando não houver dado exato: use qualificadores (“em geral”, “tende a”, “varia por plano/região”), explique a incerteza e sugira como confirmar (site oficial, documentação, teste prático).
7) Transforme o guia em prompts reutilizáveis (o ‘kit’ de produção)
Crie 4 prompts fixos: (1) Briefing/outline com intenção de busca; (2) Redação ‘answer-first’; (3) Edição de clareza mantendo voz; (4) Checagem: detectar afirmações sem suporte, termos inconsistentes e risco jurídico. Coloque esses prompts no final do guia e trate como versão controlada.
8) Teste A/B com textos novos e ajuste (rodada de validação)
Escolha um tema novo e peça para 2 autores (ou IA + humano) escreverem seguindo o guia. Depois, revise com o checklist. O que mais falhar vira regra melhor escrita ou exemplo adicional. A primeira versão do guia sempre sai incompleta; a segunda fica utilizável.
Modelo de estrutura (copie e adapte)
Um guia de estilo útil é curto o bastante para ser lido, e completo o bastante para evitar discussões repetidas. Abaixo vai uma estrutura “mínimo viável” que funciona para portais, newsletters e blogs.
Se você trabalha com freelancers, esta estrutura reduz retrabalho porque transforma preferências subjetivas em critérios verificáveis.
- 1) Missão editorial e público (1 parágrafo)
- 2) Tom de voz (5–10 bullets do que fazer / o que evitar)
- 3) Padrões de escrita (parágrafo curto, answer-first, jargão permitido/proibido)
- 4) Estruturas por formato (guia, comparativo, notícia, explicador)
- 5) Números, incerteza e claims (como escrever sem ‘chutar’ dados)
- 6) Links e referências (quando citar, como descrever fonte)
- 7) Checklist final de revisão (10 itens no máximo)
- 8) Kit de prompts (4 prompts oficiais + exemplos de uso)
Tabela: regras objetivas que a IA entende (e o revisor consegue cobrar)
A IA trabalha melhor com regras observáveis. Se sua regra não dá para medir, ela vira enfeite. Exemplos práticos:
| Área | Regra objetiva | Exemplo do que passa | Exemplo do que falha |
|---|---|---|---|
| Abertura | Responder a intenção em 40–70 palavras antes de contextualizar | ‘Use X quando você precisa de Y; evite se…’ | ‘A tecnologia vem evoluindo e…’ |
| Ritmo | Parágrafos com 1 ideia; evitar blocos longos | 2–4 frases por parágrafo (em geral) | Parágrafo com 12 linhas e 5 assuntos |
| Números | Sem estatística/valor específico sem fonte; qualificar incerteza | ‘O preço varia por plano; confirme no site’ | ‘Custa R$ 49,90’ (sem referência) |
| Comparativos | Sempre incluir critérios e trade-offs (não só ‘melhor’) | ‘Melhor para X; pior para Y’ | ‘É o melhor e pronto’ |
| Português BR | Preferir termos em português quando não perder precisão | ‘janela de contexto’ | ‘context window’ sem necessidade |
Prompt base: extrair regras do seu próprio conteúdo (funciona em Claude, ChatGPT e Gemini)
Use este prompt como auditoria. Cole 1–2 textos por vez para não diluir padrões.
Prompt (edite os colchetes):
“Você é editor-chefe. Analise o texto abaixo e extraia: (1) 10 regras observáveis de estilo (testáveis), (2) 10 escolhas de linguagem recorrentes (palavras, construções), (3) 10 coisas que o texto evita, (4) 5 recomendações para tornar o estilo mais consistente. Proíba regras vagas. Se uma regra for vaga, reescreva como critério objetivo. Texto: [cole aqui]”
Checklist final (10 itens) para revisão rápida com IA + humano
Se você só implementar uma coisa, implemente isto. Checklist curto vira hábito.
- A resposta aparece logo no começo (answer-first) e está alinhada à intenção?
- O texto tem critérios claros (especialmente em comparativos) ou só opinião solta?
- Há alguma afirmação específica (número, preço, ranking, ‘estudos mostram’) sem base? Se sim, remover ou qualificar.
- Termos estão consistentes com o glossário (ex.: ‘IA generativa’ vs ‘IA’)?
- Há jargão desnecessário? Dá para trocar por português simples sem perder precisão?
- O texto deixa claro limitações e casos em que a recomendação não se aplica?
- As listas e tabelas ajudam decisão (ou só enchem linguiça)?
- Existe risco de soar “robótico” (frases genéricas, repetição, excesso de adjetivo)?
- O fechamento amarra a decisão do leitor (sem prometer milagre)?
- Revisão final: ortografia, coerência e títulos que correspondem ao conteúdo.
Perguntas frequentes
Qual IA é melhor para criar um guia de estilo: Claude, ChatGPT ou Gemini?
Como evitar que a IA “invente” dados no guia ou nos textos?
Um guia de estilo substitui editor humano?
Como manter a voz humana e evitar texto com ‘cara de IA’?
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